Campus Codó: Projeto de extensão desenvolve curso para quebradeiras de coco

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Quebradeira_de_coco_1Um dos símbolos do Maranhão, a palmeira de babaçu possui beleza exuberante e garante a sobrevivência de inúmeras famílias do estado. Esse é o caso daquelas que vivem no assentamento rural do povoado de Timbauba, no município de São Mateus, onde cerca de 200 mulheres trabalham como quebradeiras de coco.

 

 

Como a produção é artesanal e não há o aproveitamento de todas as potencialidades do babaçu, a Associação dos Trabalhadores Rurais do povoado de Timbauba fez uma parceria com o IFMA-Campus Codó para o aperfeiçoamento desse processo.


Desde o início do mês de julho o projeto de extensão “Aproveitamento integral do babaçu” está funcionando. Segundo o chefe do Núcleo de Relações Empresariais e Comunitárias do Campus Codó, professor Deusivaldo Aguiar, além de melhorar a produção, o projeto pretende contribuir com a qualidade de vida dessas famílias. “Nossa intenção é auxiliar no desenvolvimento econômico e social das quebradeiras de coco. A idéia é verticalizar a produção e utilizar o babaçu para enriquecer a alimentação dessas famílias”.     

A arte de quebrar coco

De acordo com dados do governo federal publicados em 2009 na pesquisa “Promoção Nacional da cadeia de valor do coco babaçu”, o Maranhão possui 10 milhões de hectares de babaçu e é o maior produtor do país.

Tradicionalmente realizada por mulheres, a extração do babaçu é feita em regime de economia Quebradeira_de_coco_4familiar. É uma prática que passa de mãe para filha e por essa razão é comum o uso da mão de obra infantil. Desde cedo, crianças acompanham as mães na quebra do coco. Trata-se de um arriscado processo em que o machado e o porrete são as principais ferramentas.
A atividade começa de madrugada com a coleta do coco e continua com o processo da quebra. Em razão dessas difíceis condições de trabalho, a alimentação das quebradeiras é precária. Ao final do dia, elas produzem cerca de 5 kg de amêndoas, a parte do babaçu que é mais rentável.  Entretanto, o lucro é muito pequeno, pois, geralmente, elas não beneficiam o produto e quase não exploram as demais potencialidades da palmeira.

Uma planta extremamente rica, no babaçu nada se perde. Até o gongo, a larva (Pachymerus Quebradeira_de_coco_3nucleorum) que vive no interior do fruto, é utilizado para fins alimentícios. Ele é consumido frito acompanhado com farinha d’água.

A palmeira pode ser utilizada na fabricação de mais de 60 itens como óleo, carvão, sabonetes, cosméticos, farinha e o artesanato. É com o intuito de aproveitar toda essa capacidade do babaçu que o projeto idealizado pelo Campus Codó está sendo desenvolvido.

O projeto de extensão

Além do IFMA e da Associação dos Trabalhadores Rurais do povoado de Timbauba, um outro parceiro do projeto é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).

Nesse contexto, a Associação mobiliza as quebradeiras, enquanto que o Campus Codó e o SENAR ficam responsáveis pela execução do Curso de Aproveitamento Integral do Babaçu, que terá duração de um ano.

Na primeira etapa do projeto, as professoras do curso de Agroindústria do Instituto, Josalice de Quebradeira_de_coco_2Lima e Cecília Muniz foram ao povoado de Timbauba para ministrar o módulo básico sobre noções de higiene e segurança no trabalho. O curso vai oferecer também módulos sobre como armazenar o babaçu, visto que as quebradeiras só trabalham durante o período da safra, e de como beneficiar o produto, transformando-o em alimentos, materiais de limpeza e artesanato.

“Além da fabricação de produtos, o curso tem uma perspectiva cidadã. Nós vamos auxiliar as quebradeiras na relação com o meio ambiente e sobre as formas de organização associativas para que elas possam ter uma melhor condição de vida”, explicou o professor Deusivaldo Aguiar.